domingo, 25 de outubro de 2026

A LEI NÃO FALHA


O choque da balança: Quando Xangô age pelo nosso equilíbrio (e não pelo nosso apego)
Quem trabalha com a espiritualidade e carrega o axé dos Orixás aprende, cedo ou tarde, que a justiça divina é um terreno sagrado e surpreendente. Como filha de Xangô, trago em minha coroa a regência do Rei da Justiça, do equilíbrio e da verdade. E, recentemente, vivenciei um caso que ilustra perfeitamente como o machado de meu Pai corta as ilusões para salvar a nossa alma.
Acompanhei por longo tempo uma cliente que estava vivendo um relacionamento completamente falido. Sabe aquela situação que já deu mil sinais de desgaste, término e dor? Onde não existe mais respeito, reciprocidade ou paz, mas apenas uma insistência dolorosa? Pois bem. Ela estava mergulhada em uma cegueira emocional profunda, agarrada àquela relação de forma obsessiva, acreditando que a sua felicidade dependia exclusivamente da permanência daquela pessoa em sua vida.
Diante do sofrimento atual dela, fiz a minha intercessão à Xangô. E aqui está o grande mistério que muitos não compreendem: eu não pedi para o relacionamento acabar. Como filha de Xangô, aprendi que não nos cabe decretar o fim ou o começo de nada com base no nosso próprio julgamento. Em minhas preces e rituais, eu pedi apenas uma coisa: equilíbrio na vida de ambos, que todo o mal fosse retirado do caminho deles. Pedi que Xangô trouxesse a verdade, a estabilidade.
O resultado veio rápido e assustador para quem olha de fora: o relacionamento acabou. Definitivamente. Sem chances de volta, sem nós soltos. A corda arrebentou por completo.
A primeira reação de quem passa por isso, muitas vezes, é o choque e a revolta. "Como assim a espiritualidade me tirou o que eu mais queria?". Mas a verdade é que a justiça de Xangô não se molda aos caprichos do nosso ego ou da nossa obsessão. Quando invocamos a energia do Rei da Justiça pedindo equilíbrio, o machado dele desce exatamente naquilo que está provocando o nosso desalinhamento.
O apego nos cega: Aquela relação já era um peso morto. O apego e a obsessão faziam a pessoa acreditar que aquilo era uma "necessidade", quando na verdade era uma prisão emocional.
A resposta é a verdade: Xangô não dá o que a nossa vontade quer, ele entrega o que a nossa alma precisa para evoluir. Para que o equilíbrio entrasse na vida dela, o objeto da obsessão precisava sair.
A perda é misericórdia: Perder o que nos adoece não é castigo, é livramento. Xangô limpou o caminho dela pelo choque da realidade, deixando suas mãos vazias para que ela pudesse, finalmente, segurar a própria dignidade e progredir.
Se você está passando por um momento de perdas inexplicáveis após pedir ajuda à espiritualidade, silencie o seu orgulho e observe o panorama geral. Às vezes, o fim drástico de algo que você jurava amar é a resposta mais pura e justa de um Orixá que te ama demais para te deixar morrer em vida.
Que a justiça de Xangô nos dê a sabedoria para aceitar o equilíbrio, mesmo quando ele dói. Kao Kabecilê!

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